Skip to main content

No agito do silêncio

Como encontrar silêncio em um mundo onde o barulho externo parece ditar o bem-estar interno?

Fonte: A Tribuna

Adriana Galbiatti*
28 de agosto de 2025 às 06:47

Em meio ao ruído, já parou para perguntar onde se esconde o silêncio? Não o silêncio vazio ou o da ausência,mas aquele que fala, desperta. Vivemos uma era em que a velocidade dita o valor e a pausa parece luxo. E se oque precisamos encontrar estiver neste instante em que tudo para? No agito do silêncio talvez resida aresposta para as inquietações. Como encontrar silêncio em um mundo onde o barulho externo parece ditar obem-estar interno?
Vivemos tempos em que a agitação virou regra, e estar ocupado passou a ser confundido com realizaçãopessoal. Redes sociais, compromissos: tudo pulsa em alta frequência. Nesse cenário, o silêncio soa estranho.Incômodo, até. Como se parar fosse perder o controle, como se calar fosse se tornar invisível. Mas, e se o quemais se busca estiver no silêncio? E se for ali que se revelam as respostas?
Imersos em estímulos, somos levados para fora de nós: para o desempenho, para os outros. Usar palavraspara falar de silêncio pode parecer discurso de autoajuda. Afi nal, como dizia o escritor Rubem Alves, “falamospalavras a fi m de não ouvir a palavra que brota do silêncio”. Nesse movimento constante, nos distanciamos doque sentimos, do que ressoa com sentido dentro de nós. Quando, enfi m, surge um momento de silêncio, podeassustar. Isso acontece porque não estamos acostumados. O silêncio escancara perguntas que evitamos,revela o vazio de certezas e mostra a essência.
Silenciar é se perder numa desconstrução profunda de padrões, abrindo espaço para a reconstrução doautoconhecimento. Como ainda diz Clarice Lispector, “perder-se também é o caminho”. O poeta GuimarãesRosa nos lembra que “felicidade se acha é em horinhas de descuido”. O silêncio é um instante precioso em quea alma simplesmente se permite ser. Sem máscaras, sem respostas prontas, apenas presença genuína. Entreum pensamento e outro, o que parecia vazio ganha sentido, como se a vida sussurrasse que ali mora oessencial. Silenciar é um ato de amor — por si, pela vida e por tudo o que só pode fl orescer quando a almapode falar.